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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Intervenção 3_Tema 1_ O Processo de Investigação - Paradigmas e Métodos


O Processo de Investigação - Paradigmas e Métodos III


Respondendo ao repto do Paulo acerca da distinção entre metodologia e método, eu acrescentaria, numa altura em que ainda estamos a apalpar terreno na utilização de vocabulário específico da unidade curricular de Metodologias da Investigação, mais um termo passível de criar confusão e ser por nós utilizado de forma errada ou menos correcta. Refiro-me à distinção de ambos os conceitos entre si e em relação ao que se designa por técnicas de investigação.
Podemos afirmar que Metodologia é um termo utilizado de forma recorrente e com múltiplos sentidos. Esse facto faz com que se torne num conceito ambíguo e empregue com pouco rigor. Segundo Correia e Pardal (1995), ao ser utilizado de uma forma ligeira e corrente é associado não só à ciência que estuda os métodos científicos, como a técnicas de investigação e até mesmo a epistemologia (p. 10).
Já o método é, acima de tudo, um plano orientador do trabalho. Segundo os autores acima referidos, o método consubstancia-se, essencialmente, num conjunto de operações, situadas a diferentes níveis, que tem em vista a consecução de objectivos determinados. Ou seja, funciona como um corpo orientador da pesquisa que, ao obedecer a um sistema de normas, torna possível a selecção e articulação de técnicas, com o objectivo de se poder desenvolver o processo de verificação empírica.
Os métodos de investigação não podem no entanto ser identificados como técnicas, visto que as técnicas nunca configuram um corpo orientador de investigação, nem sequer um plano de trabalho sobre a mesma. As técnicas de investigação são somente um conjunto de instrumentos para a realização do plano de trabalho.
Pedro Coelho do Amaral
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/msantos/tese/C4-Metodologia.pdf
QUIVY, Raymond ; VAN CAMPENHOUDT, Luc — Manual de investigação em Ciências Sociais . 2ª edição. Lisboa: Gradiva, 1998.
PARDAL, Luís ; CORREIA, Eugénia — Métodos e Técnicas de Investigação Social . Porto: Areal Editores, 1995.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Intervenção 2_Tema 1_ O Processo de Investigação_Paradigmas e Métodos


O Processo de Investigação - Paradigmas e Métodos II
Quem nasceu Primeiro - o ovo ou a galinha?


Mantendo acesa a chama virtual, vou tentar lançar mais algumas achas na questão brilhantemente colocada pelo Paulo, na qual questiona se “… a definição do problema e das questões metodológicas é subsidiária do paradigma de investigação ou o paradigma é subsidiário da definição do problema e das questões metodológicas?
A minha opinião em relação a essa e outras questões, nas quais torna-se necessário responder de uma forma linear, objectiva e dogmática, será a de que as respostas resultantes acabam sempre por ser demasiado redutoras e simplistas.
Num primeiro momento, e de um ponto de vista racional e lógico sou levado a concordar com a Paula quando refere que “…sendo o paradigma os valores, pensamentos, visão do mundo, algo que está inculcado na mente de cada sujeito, grupo social, quando se faz um trabalho de investigação, esse paradigma está inerente a todo o processo”. Esta opinião é perfeitamente plausível e reveste-se de uma lógica inatacável, com a qual concordo (tendo, inclusive, reflectido sobre isso no post anterior). No entanto, e posicionando-me no papel de investigador, não posso considerar um erro ou porventura um acto contra natura se optasse por um paradigma distante daquele a que estou intrinsecamente vinculado, se achasse que este serviria melhor os propósitos da minha investigação. Acredito na capacidade de análise, flexibilidade e bom senso do ser humano e se é obvio que o homem constitui-se pelas teias de relação que se estabelecem entre as suas crenças, opiniões filosóficas, ideologias políticas, matrizes culturais, etc., também acredito que é perfeitamente possível ao indivíduo libertar-se dessa teia, de forma consciente ou não, e possuir a capacidade de se distanciar do seu enquadramento natural, e escolher qual o caminho que se adequa na definição do problema e questões metodológicas associadas.
Esta questão remete-me para Correia e Pardal, quando reflectem sobre a discussão em torno da suposta dicotomia entre “estudos qualitativos” e estudos quantitativos”. Segundo os autores, “Independentemente de especificidades que caracterizem mais um ou outro ponto de vista, “o quantitativo” e o qualitativo” precisam, acima de tudo, de ter em conta os mais elevados níveis de precisão e de fidedignidade e trabalhar com os dados que respondam o melhor possível às exigências do problema em estudo”(Correia e Pardal:1995, 15).

Pedro Coelho do Amaral

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Intervenção 1_Tema 1_ O Processo de Investigação_Paradigmas e Métodos


O Processo de Investigação - Paradigmas I

Sendo a investigação, um processo de busca intencional, consistente, metódica e orientada, que visa dar resposta a problemas colocados pela praxis social, torna-se necessário que se oriente por linhas directoras, por modelos de referência que a sustentem e que lhe dêem um enquadramento conceptual. Como em qualquer campo da actividade intelectual, seja de natureza politica, social, cultural, artística ou outra, existem diferentes perspectivas, orientações filosóficas que mais não são do que formas distintas de abordar e perspectivar determinado objecto de estudo ou assunto. Basta pensarmos, por exemplo, nas diferentes teorias da aprendizagem e verificamos que o ângulo de visão do mesmo problema é radicalmente oposto se a abordagem se basear numa filosofia comportamental, cognitivista ou construtivistas, e mesmo dentro desses grandes troncos conceptuais existem autores ou correntes de pensamento que constroem teias de relação entre estas ou então partem à procura de novos paradigmas. O mesmo se passa no campo da metodologia da investigação, onde existem diferentes perspectivas sobre o seu processo metodológico, e que possuem na sua base orientações filosóficas radicalmente opostas mas que mesmo assim se torna complexo ou impossível estancar ou hierarquizar em modelos rígidos. Segundo Thomas Kuhn (1962) “Um paradigma é uma forma de ver o mundo aceite num dado momento por uma dada comunidade científica” . Naturalmente que os actuais paradigmas se situam num determinado tempo e espaço localizado e correspondem a avanços e recuos na forma como a sociedade, e a comunidade intelectual e cientifica em particular, olha para o conhecimento. O homem é fruto do seu tempo e se durante décadas fomos ensinados a acreditar no poder objectivo e comprovável da ciência e do método científico, a verdade é paulatinamente fomos descobrindo que o conhecimento, especialmente nas ciências humanas ou sociais não se enquadra numa perspectiva meramente matemática, objectiva e linear. A importância de conhecer profundamente os diferentes enquadramentos é portanto essencial para quem faz investigação. Essas diferentes perspectivas ou paradigmas não se limitam a definir metodologicamente os procedimentos necessários ao processo de investigação. Estas contaminam também a forma como se aborda o problema, os dados que são necessários recolher, a forma como esses dados são tratados ou processados e consequentemente as próprias conclusões da investigação.


Actualmente são três os modelos de referência (apesar de como referi não ser consensual a sua divisão ou limitação e, inclusive, a sua terminologia) e podem ser caracterizados nos seguintes termos:
» Quantitativo ( positivista, normativista, empírico-analítico, racionalista, empiricista )
» Qualitativo (Interpretativo, hermenêutico, naturalista)
» Socio-critico (ou emancipatório).

O paradigma da investigação dita quantitativa tem sido o dominante da investigação social, na qual se inclui naturalmente a educação. A epistemologia quantitativa ou positivista de Augusto Comte, para a qual "Objectividade", "meios para ser objectivo" são os conceitos chave, está na base deste paradigma. Segundo esta epistemologia, o mundo é objectivo, existe independentemente do sujeito e o investigador deve ser o mais neutro possível para não interferir na realidade. O mundo social é igual ao mundo físico: importa conhecer as relações causa-efeito. O seu objectivo é prever, explicar e controlar fenómenos. A epistemologia positivista levou ao paradigma positivista da investigação que enfatiza. Existe uma clara distinção entre o investigador “subjectivo” e o mundo exterior “objectivo”. O conhecimento assume-se como válido por resultar da aplicação do método científico. O paradigma positivista tem como fundamentos o determinismo (há uma realidade a ser conhecida), a racionalidade (não podem existir explicações contraditórias), a impessoalidade (procura a objectividade e evita a subjectividade o mais possível), a irreflexivilidade (faz depender a validade dos resultados de uma correcta aplicação dos métodos esquecendo o processo de investigação em si), a previsão (capacidade de prever e controlar os fenómenos) e a objectividade absoluta. Em linhas gerais, considera-se que existe uma realidade objectiva, laboratorialmente aplicável, que o investigador tem de ser capaz de interpretar objectivamente; cada fenómeno deverá ter uma e só uma interpretação objectiva (cientifica).
Na Epistemologia subjectivista/construtivista, o fundamento teórico baseia na fenomenologia, cuja finalidade deixa de ser a verificação como no paradigma positivista, e passa a ser a descoberta. Alicerçado no idealismo de Kant e daqueles que o sucederam, este paradigma constrói-se na crença que não existe uma única interpretação (objectiva) da realidade mas, pelo contrário, admite-se que existem tantas interpretações da realidade quanto os indivíduos (investigadores) que a procuram interpretar. O investigador e objecto são ambos e ao mesmo tempo, “intérpretes” e “construtores de sentidos”. O papel do investigador é valorizado, enquanto construtor do conhecimento, assumindo uma atitude selectiva, aproximando-se da realidade numa perspectiva holística e apoiado numa visão da realidade múltipla (em contraponto com a visão única positivista). Substitui as noções científicas de explicação, previsão e controlo (paradigma positivista) pelas de compreensão, significado e acção; O Sujeito (investigador) e objecto (sujeito) da investigação têm a característica comum de serem, ao mesmo tempo, “intérpretes” e “construtores de sentidos”. O paradigma interpretativo tem como fundamentos a compreensão, o significado, a acção e o contexto.
O paradigma Critico, parte do pressupostos da impossibilidade de um conhecimento objectivo, no qual o investigador socialmente “situado” e Ideologicamente posicionado influencia a forma de construção do conhecimento científico. Tem como fundamento teórico a Teoria Critica, cuja finalidade é a mudança. Partindo de uma visão da realidade dinâmica e interactiva, o investigador assume um papel pró-activo e participativo. Com a introdução da componente ideológica e da intenção clara de transformar o mundo rumo à liberdade e democracia, o saber é poder e não algo puramente técnico e instrumental; Cada actor social vê o mundo através da sua racionalidade cultural, política e social. O paradigma Critico tem como fundamentos a emancipação, a teoria crítica, o desejo de mudança e a libertação.
Todos os paradigmas referenciados possuem procedimentos metodológicos específicos e óbvias limitações que, pela sua extensão, serão abordados em próxima intervenção.


Pedro Coelho do Amaral

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Paradigmas_Principais visões


Apresentação Vídeo dos Principais
Paradigmas de Investigação

Dois projectos  vídeográficos que me permitiram compreender melhor os a natureza de um paradigma e os principais posicionamentos conceptuais  na investigação social.



Pedro Coelho do Amaral